Meu telefone tocou: "eu
preciso de sua ajuda. Eu estou com câncer há 10
anos agora e eu não quero morrer. Vc pode me ajudar?" - a agitada mulher
perguntou. Eu respirei profundamente e disse: "não sei se posso ajudá-la
a não
morrer, mas eu realmente gostaria de ensinar a você como respirar. E
assim
começou. Minha cliente ligava toda semana para aprender a fazer uma
respiração
profunda e consciente. Depois da nossa terceira sessão juntas, ela me
disse que se sentia relaxada enquanto respirava e que a dor intensa, que
sempre estava presente, desaparecia por um breve momento. Minha cliente
era expert em todo o tipo de trabalho de energia, técnicas de
cura; ela conhecia todos e tudo. O que eu descobri é que nenhuma
daquelas técnicas trouxe amor à sua
vida; o que tinham em comum era que elas ajudavam a ela penetrar tão
profundamente em sua mente, em seu medo e na profunda energia de vítima.
Há um desenho que a energia de vítima faz, especialmente as energias que
trabalham na mente; se fosse alguns anos atrás eu teria entrado nessa energia.
Mas, agora, eu sei Respirar, então eu posso ficar na tranquilidade da minha respiração
se qualquer tempestade de pensamentos surgirem.
Eu criei um espaço de segurança e paz, um espaço onde a mente da minha
cliente não pudesse entrar. Sessões após sessões, minha cliente adorava a
tranquilidade de nosso espaço juntas. A cada sessão ela vinha com o medo da
morte, com histórias sobre a sua dor e nós assistíamos juntas esses slides ao
fundo, dissolvidos e trancendidos, enquanto ficávamos em nossa respiração.
A batalha que a minha cliente brigava contra a sua doenca, contra seu
corpo e contra ela mesma tinha chegado a um impasse. As brigas podem fazer
isso. Você não pode respirar e brigar ao mesmo tempo, então em nossa sessão ela
aprendeu um novo jeito de lidar consigo mesma, de uma maneira mais amorosa e
gentil. Suas palavras começaram a ficar mais suaves, a maneira de como ela
falava de si mesma começou a ser mais amorosa. Celebramos um pequeno milagre
quando ela estava em condições de rir de si mesma pela primeira vez.
Claro que falamos também sobre a situação dela, sobre seu medo de morrer
e sobre a doença dela. Respiramos e liberamos muitas energias velhas; muitas
portas fechadas poderiam ser abertas. Um dia, alcançamos pela primeira vez o
ponto dela ver que tinha uma escolha. Eu disse a ela que poderia ficar com essa
escolha por enquanto e voltar quando ela soubesse mais sobre isso. Depois ela
me ligou, sua voz era suave e gentil. Ela disse: "sabe, minha mente
sempre me diz que eu deveria sobreviver, lutar contra a minha doença, mas meu
coração diz: eu quero ir para casa. Você pode me ajudar a fazer isso?" - então, com isso, nosso DreamWalker começou.
Falamos sobre a percepção dela da
morte. Ela disse: "ela é fria, escura e a morte é o grito de minha mãe que
morreu quando eu era jovem." Eu experienciei este espaço de morte tão
frequentemente, que eu conheci esses abismos escuros, mas também eu conheci o
gentil e maravilhoso caminho da morte. Então, a convidei para deixar esse espaço
escuro e experimentar outro lugar. Fizemos uma brincadeira que você pode deixar a
casa de diferentes maneiras. Você pode certamente pular a janela, cavar toda a
estrutura da casa ou simplesmente passar pela porta e sair. Como você quer deixar
sua casa? Como você quer morrer?
Em nossas sessões que
tivemos, agora diariamente, experimentamos um
espaço gentil da morte. Respiramos juntas, nos centramos em nossos
corpos e nos
abrimos para ir além. Além do corpo, além da respiração pelo pulmão,
além da nossa terceira dimensão. A morte é
uma abertura, uma abertura para algo mais, mais de você. Então, cada
respiração permitiu que ela recebesse mais desta nova experiência. Mais
de si mesma. Respirar permitiu que ela
caisse gentilmente nos braços de sua alma, que estava esperando por ela.
Apenas esperando para abraçá-la, para
estar com ela. Minha cliente se apaixonou por esse espaço. Semanas
atrás, ela
sempre queria falar e brigar e discutir assuntos comigo. Agora ela
sempre
perguntava: "poderíamos começar a respirar agora?"
Desde que ela tomou a
decisão de deixar o corpo físico, seu corpo
foi lentamente esmorecendo e havia dor porque seu corpo havia segurado
demais energia para ela. Devido ao câncer, que tinha se espalhado pelo
seu corpo, seus
pulmões estavam cheios de água e a cada dois dias tinham que ser
perfurados para
retirar toda a água. Então, respirar passou a ser muito difícil. Ela
começou a tossir
e era cansativo para ela. Então descobrimos: "eu posso respirar sem os
meus pulmões; eu posso ir além. Eu respiro com meu corpo inteiro. Posso
até
respirar com as minhas orelhas!" (As filhas da minha cliente depois
confirmaram que depois dessas sessões de respiração as bochechas dela ficaram
rosadas e ela até estava podendo andar.) Experienciamos que ela poderia ir além
de seu corpo quando a dor se tornasse muito intensa. Nosso objetivo não era
ignorar o corpo, mas deixar a transformação e a liberação acontecerem de maneira
graciosa.
Passaram-se alguns dias e,
de repente, houve um ritmo profundo que
irradiou todo o ser dela. Eu já tinha experienciado esse ritmo em meu
trabalho
com mulheres grávidas. "Então, este é o ritmo da morte dela." Eu pensei.
Era
lento, gentil e se tornava mais e mais prevalente a cada dia. Logo, sua
consciência entrava neste ritmo. Um dia, ela estava presente
em seu corpo; no outro dia estava muito longe.
Nesse tempo, a família dela
começava a me contactar com mais frequência. Havia uma preocupação ao
ver que ela não podia conversar ou pensar
claramente. Eu disse que isso fazia parte da liberação. Quanto mais ela
liberava sua mente, mais fácil seria a sua transição. Eu podia sentir
que a
minha presença na família, falando com suas filhas - até o marido dela
começou a
me enviar emails – ajudou a equilibrar a situação. Às vezes as coisas
pequenas
se perdem quando uma pessoa está morrendo. Os membros da família se
esquecem de
dormir, de descansar ou até de comer porque eles estão tão ocupados em
entender
o que está acontecendo. Eles estavam preocupados em perder o momento da
morte
dela, em perder algum momento importante quando ela falaria pela última
vez.
Então, eu apenas disse a elas para relaxar, ir para casa, comer e dormir
e
entender que elas poderiam sentir a mamãe em vez de vê-la e tocá-la.
Um dia, o ritmo da
transição dela levou-a tão longe, que grande parte da
sua energia espiritual estava agora liberada. Neste dia, eu parei de
comer
carne (de acordo com as orientações de Dreamwalker) e comecei minha uma
hora de
respiração consciente. Ela não tinha deixado seu corpo ainda, mas muito
de sua
energia tinha ido além de nossa dimensão. Como uma crianca, eu tinha
medo das esferas próximas. Eu podia ver e sentir a presença de todos os
fantasmas e pessoas
mortas. Então, eu fiquei surpresa quando eu fui com ela para as
esferas próximas e experienciei não sentir mais medo. Mais alguns dias
se
passaram. A cada dia, mais da energia dela passava além desse estado de
transição. Ela
estava calma. A ligação com a família dela lentamente se dissolvia e eu
senti
que se aproximava o momento da sua morte física.
Um pouco antes dela deixar o
corpo, eu pude sentir uma onda de energia
escura do seu passado, memórias de morte que ela tinha experienciado
em vidas passadas e o "caminho da morte" das famílias dela. Estas
energias tinham uma
enorme atração. Convidavam-na a entrar, novamente, no abismo escuro da
morte, para experienciar o medo, a dor e a solidão. Em honra a todo esse
trabalho que tínhamos feito juntas, eu sabia que eu não podia apenas lhe
assistir sendo arrastada para este lugar escuro. (Neste momento, a
filha dela me
ligou: "há algo estranho. Eu sinto que mamãe não pode morrer. Eu sinto
que algo está bloqueando.") Então ela percebeu essas velhas energias
também.
De repente, eu nunca tinha feito isso antes,
eu pedi a filha dela para
sentar e respirar por 30 minutos, enquanto eu respirava também.
Desliguei o
telefone e fiz a minha respiração. Eu vi minha cliente em forma de
espiral e
com medo. Quando ela sentiu a minha presença, se abriu um pouco. Eu
coloquei um pé no caminho de Anasazi e chamei o nome dela. Chamei
novamente.
Mais uma vez. E, de repente, ela saiu do transe e eu pude sentir as
energias fluírem novamente. Quando a filha dela me ligou novamente, ela
disse
que o cheiro e a luz do quarto mudaram dramaticamente. A face da
minha cliente estava mais relaxada e calma. Novamente – de súbito- eu
disse para ela lavar as mãos e os pés de sua mãe e colocar uma música
clássica tranquila no
quarto. Na manhã seguinte, minha cliente, silenciosamente, deixou o seu
corpo. A
equipe do hospital e a família dela relataram que lá havia ficado um
brilho
silencioso no quarto o dia todo.
O DreamWalker efetivo foi
fácil e calmo. Eu amo a transformação que acontece
durante o DreamWalker. Todas as energias da vida passada se dissolvem e
por
trás da pessoa humana, o anjo brilha. Ao longo desse caminho, eu senti o
eco da
música clássica que tinha sido tocada no quarto dela, como se fosse um
fio de luz chamando-a para a Ponte de Flores. Era como uma canção - uma
canção de amor da família dela, que estava brilhando através dessa
música. Depois de doze horas, já chegamos à Ponte de Flores. Ela tinha
mudado tanto; não era mais
um ser humano, era um anjo indo para casa. Cheio de experiência, cheio
de vida. Há
tanta beleza neste momento da passagem pela Ponte. A beleza que é
dificil descrever com palavras. Tudo faz sentido. Tudo flui. Nao há
culpa, vergonha nem
arrependimento - apenas um momento de celebração da vida, um momento de
celebração de um lindo e querido anjo.
Os anjos se encontraram com
ela no meio da Ponte. Nós nos despedimos e
lhe assisti indo embora, lentamente, indo para casa. Com uma respiração
profunda, eu deixei a Ponte, deixei a Esfera Cristalina, deixei as
Esferas Próximas
e voltei para o meu corpo, meu quarto, minha cadeira na qual estava
sentada. Foi bom estar completamente presente depois de muitos dias de
transição. Foi bom, mas também
um pouco estranho perceber que eu não podia sentir mais a presença da
minha
cliente. Eu tinha ficado acostumada a senti-la do meu lado. Reservei
alguns dias
para descansar e para reconectar comigo mesma.
Eu posso dizer que DreamWalker é uma das aventuras mais bonitas
que dois
humanos podem compartilhar. Depois, eu percebi que os efeitos do
DreamWalker na família são grandiosos também. Eu me encontrei com a
família da minha cliente duas semanas depois do DreamWalker. Eu vi um
pouco de
tristeza. Eu vi um pouco de lágrimas aqui e ali. Mas não havia o pesar e
a
devastação que você normalmente encontra depois que um humano passa para
outro
lado. Todo mundo tinha mudado, se transformado e liberado muito.
Era realmente um quadro de um novo começo, de vida e beleza.

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